sábado, 21 de outubro de 2017

Ração humana que prefeito João Dória quer dar aos pobres faz lembrar o filme Soylent Green


     Ao ver vídeo postado pelo meu primo alagoano  Jorge Briseno sobre a “ração humana” que o prefeito de São Paulo João Dória quer distribuir para a população pobre me lembrei de algo assustador. Nos anos 70, assisti a um estranho filme de ficção científica americano: Soylent Green (de 1973, dirigido por Richard Fleischer). Título no Brasil: No Mundo de 2020; em Portugal: À Beira do Fim.
     O enredo é o seguinte: numa época futura (para a década de70) o mundo se vê às voltas com uma superpopulação  e, consequentemente, falta de alimentos.
     Em Nova York, autoridades, em parceria com um grupo econômico privado, encontram “solução milagrosa” para aplacar a fome da população carente: a fabricação de um alimento verde, em forma de tablete, chamado Soylent Green. O tal alimento era destinado apenas à ralé. Os ricos continuavam a comer carne, arroz, frutas e legumes (produtos raros e caros).
     Para o público externo a informação é a de que o Soylent Green tinha, na sua composição básica, algas marinhas verdes. Mas algo estranho se esconde por trás da fabricação do misterioso alimento. Um executivo da empresa fabricante do produto é assassinado  e um policial, interpretado por Charlton Heston, começa a investigar o homicídio, juntamente com um parceiro veterano.
     A dupla descobre uma coisa tenebrosa sobre o verdadeiro ingrediente do Soylent Green.Não conto aqui porque aprendi com meu amigo e colega Plínio Bortolotti que jornalista não deve revelar em público final de filme. Talvez a produção possa ser encontrado ainda nas locadoras, mas é mais fácil achá-lo na internet. Fica a dica.

domingo, 1 de outubro de 2017

Dêem-se a respeito! PT e PCdoB deveriam deixar defesa do mandato do Aécio Neves para o PSDB e a quadrilha do Temer.

     Tenho “erros, pecados e vícios”. Sou passional e destemperado nas críticas. Isso me tem feito ganhar inimigos e perder alguns amigos no festival de ódio a que está entregue o País há mais ou menos cinco anos. Quando erro, peço desculpas ou retiro a postagem, no caso de redes sociais. Se digo a verdade, mantenho a crítica. Não sou, no entanto, “soldadinho de chumbo” de nenhum partido politico (PCdoB e muito menos do PT ou qualquer outro partido de esquerda). 
     No caso da suspensão do mandato de Aecio Neves a polêmica tomou conta do Facebook. Posicionei-me a favor da medida, isto é, contra a permanência de Aécio Neves no Senado Federal. Aécio Neves não tem nenhuma condição legal e moral para permanecer naquela Casa do Legislativo.
Entre os que eu tenho debatido, quero ressaltar a postura equilibrada e lúcida da professora Sandra Helena Souza (o que não é novidade. Seus artigos no “O Povo” demonstram essas qualidades mais do que as postagens no Facebook). Quanto ao restante do pessoal de esquerda que defende o mandato do mineiro eu os considero, data vênia, meros “soldadinhos de chumbo” dos seus respectivos partidos.
     Quem são os principais responsáveis por esse ambiente de guerra civil? Os que não reconheceram a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2014. Foram eles que interromperam a marcha da frágil democracia brasileira em busca da consolidação institucional e do Estado Democrático de Direito, fantasia que nunca existiu neste País. Aqui a justiça sempre continua a castigar os três pês: pobre, preto e puta. Foram eles que entregaram o Brasil a Michel Temer e sua quadrilha de ladrões para estabelecer o desmonte da dignidade nacional, a venda das riquezas e empresas nacionais e a destruição de conquistas sociais dos trabalhadores adquiridas depois de décadas de muitas lutas.
    Parafrasearam Carlos Lacerda (gênio do mal, jamais um tabaréu) contra Getúlio Vargas. Para eles, Dilma Rousseff não deveria ser candidata à reeleição, se candidata não deveria ser eleita, se eleita não deveria tomar posse, se empossada deveria ser derrubada. Esqueceram, todavia, de combinar isso com o povo, o eleitorado brasileiro. Dilma foi reeleita. Então passaram para a última fase: o desencadeamento do golpe, há muito tempo planejado. A história todos já conhecem, principalmente o espetáculo circense (mambembe) da votação do impeachment pela Câmara dos Deputados e, depois pelo Senado (um pouco mais recatado na safadeza).
     Entre essas figuras escabrosas um deles se destacou desde o início: Aécio Neves, o candidato derrotado, inconformado, passou a destilar ódio pelo País inteiro. Hoje, tal qual um ridículo aprendiz de feiticeiro, colhe o que plantou. PT e PCdoB deveriam deixar a defesa do mandato dele ao PSDB e à quadrilha do Temer. DÊEM-SE A RESPEITO!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Viagem por quem sabe amar uma cidade, diz Mapurunga sobre o Dicionário Amoroso do Recife, de Urariano Mota

O escritor, poeta e dramaturgo cearense José Mapurunga fez, a pedido deste blog, comentário sobre o livro Dicionário Amoroso do Recife, de autoria do escritor e jornalista pernambucano Urariano Mota.
     José Mapurunga é autor de mais de 20 peças teatrais, entre as quais Farsa da Panelada, Auto da Camisinha e Auto do Rei Leal. A Farsa do Panelada foi premiada no 2º Concurso Nacional de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, da Prefeitura de Porto Alegre (RS). Recentemente lançou o livro Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará, em Fortaleza e na própria Viçosa, terra natal do autor.
O pernambucano Urariano Mota é autor do livro Soledad no Recife, onde narra os últimos dias de Soledad Barreett, mulher do cabo Anselmo, entregue pelo dedo-duro à repressão e assassinada. Seu último livro é O Filho Renegado de Deus, primeiro lugar no prêmio Guavira de Literatura 2014.
Eis o comentário de Mapurunga sobre o livro de Urariano Mota,
      
    Recife, cidade das maravilhas
             José Mapurunga

     Chegou às minhas mãos, emprestado pelo Paulo Verlaine, o Dicionário Amoroso do Recife, de autoria do escritor e jornalista Urariano Mota. Não houve verbete que deixei de ler. Na excelente prosa do autor, fiz uma viagem ao Recife profundo, a uma cidade de maravilhas, talvez perceptíveis apenas por quem sabe amá-la, e/ou porque quem sabe desfrutar o prazer de morar em uma cidade: ou ganham a vida ou frequentam os mercados públicos tradicionais, repletos de presença de espírito; os que se dedicam à arte, como o fotógrafo guiado pelo instinto, ou o escultor que criou para si um mundo ideal, ou o gênio rebelde do violão, ou os poetas para quem o que mais importa é a poesia, como aquele, de nome Valmir Jordão, que pede em versos para que não culpem às putas pelo comportamento nefasto dos filhos. Um Recife de frevo, de foliões famosos e anônimos, talvez o melhor carnaval do mundo, certamente sim para os que o brincam. No mais, a cidade com seus heróis populares pouco reconhecidos, mas realmente heróis.
     Points que os turistas tanto gostam são pouco citados no livro, no entanto o autor, de forma amorosa, homenageia o bairro Zumbi, além de festejar botequins, teatros, igrejas barrocas, bem como a sinagoga que dizem ser a mais antiga das Américas, e o Terreiro do Pai Adão, consagrado a Xangô, em funcionamento desde 1875. No Recife amoroso de Urariano, celebridades como Gilberto Freire, Joaquim Nabuco, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna e Reginaldo Rossi dividem páginas com outras pessoas caríssimas ao coração da cidade.



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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Mapurunga lança livro e recebe homenagem em Viçosa do Ceará

O lançamento do livro Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará, do escritor José Mapurunga, transformou-se também em homenagem ao autor na sua terra natal, graças à iniciativa do secretário municipal Aníbal José Sousa (Cultura e Meio Ambiente), com apoio do prefeito Firmino Arruda, de Viçosa do Ceará.
O Teatro Pedro II, local do lançamento-homenagem, viveu, a partir das 20 horas de sábado último (29/4), momento de muita emoção, em acontecimento que reuniu autoridades, escritores, historiadores, parentes e amigos de José Mapurunga. A secretária de Educação Andrea Ribeiro representou o prefeito Firmino Arruda na solenidade.
     Na abertura, o secretário Aníbal José Sousa ressaltou a importância do evento, enalteceu a carreira literária do autor e o trabalho de pesquisa histórica e resgate sentimental do livro. Declarou que o lançamento poderá dar início a outros atos culturais no histórico Teatro Pedro II e conclamou a comunidade viçosense a prestigiar aquele espaço de valor histórico, cultural e sentimental.
A professora Teresa Cristina Mapurunga Miranda Magalhães, prima do autor, também se referiu à trajetória literária de José Mapurunga, escritor e dramaturgo reconhecido nacional e internacionalmente (a peça teatral O Auto do Panelada foi encenada em Maputo, capital de Moçambique), ao mesmo tempo em que destacou a ligação sentimental do escritor com sua terra natal.
     A apresentação oficial de Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará esteve a cargo de Tiago Peres Reial que mencionou vários trechos do livro, destacando aspectos históricos, culturais, geográficos, sociais e curiosidades (lendas e narrativas populares) do município apresentados, no livro, em ordem alfabética.
HOMENAGEM A ZÉ MÚSICO
     Momento especial foi a dupla homenagem prestada a Mapurunga e a José Alves Ferreira, o Zé Músico, notável seresteiro e violonista de Viçosa do Ceará, já falecido, a quem é dedicado um capítulo do livro.  Mairton e Francimário Ferreira, filhos de Zé Músico, também instrumentistas, compareceram à festa literária no Teatro Pedro II, com outros colegas. Na ocasião, apresentaram números musicais para a plateia.
     Heloísa Mapurunga, outra prima do escritor, cantou, no palco, acompanhada pelos músicos, dois verdadeiros hinos viçosenses: uma marchinha carnavalesca, de autoria de José Mapurunga, sucesso durante vários anos nos bailes carnavalescos da cidade; e a canção Saudade, sempre cantada por Zé Músico nas serenatas que começavam embaixo da estátua de Clóvis Beviláqua, na Praça da Matriz, narrada no Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará. A música, gravada inicialmente em ritmo de valsa pelo paulista Jayme Redondo no ano de 1929 foi adaptada posteriormente para um estilo mais alegre, transformando-se em samba. Era nesse último ritmo que Jayme Redondo a cantava.
     A secretária de Educação Andrea Ribeiro fez uso da palavra e disse de sua grande alegria de desempenhar a missão de representar o prefeito Firmino Arruda na solenidade, ela, que também é prima do escritor e homenageado. Ela recebeu, na ocasião, o livro das mãos de José Mapurunga.
      O historiador Gilton Barreto, autor do livro Viçosa do Ceará Sob Um Olhar Histórico, fez aprofundada análise de Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará, contribuindo para abrilhantar a noite de sábado último no Teatro Pedro II.
No final, um coquetel foi servido aos presentes no pátio do teatro.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará por José Mapurunga

O escritor José Mapurunga lança neste sábado (29/4) o livro Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará, na própria Viçosa do Ceará, terra natal do autor. O evento ocorrerá no histórico Teatro Pedro II (tema de capítulo do livro), às 19h30, numa promoção da Secretaria Municipal de Cultura e Meio Ambiente viçosense, tendo à frente o secretário Aníbal José Sousa.  O prefeito José  Firmino  de Arruda deverá estar presente ao acontecimento que reunirá outras autoridades, intelectuais, pesquisadores, lideranças  do município e convidados.
     O livro já havia sido lançado em Fortaleza no último dia 14 de fevereiro, no auditório Murilo Aguiar da Assembleia Legislativa do Estado, em acontecimento prestigiado por escritores, integrantes da colônia de Viçosa do Ceará radicada na capital cearense, amigos e admiradores do trabalho de José Mapurunga, autor de mais de 20 peças teatrais, entre as quais Farsa da Panelada, Auto da Camisinha e Auto do Rei Leal.
     Roteiros e guias sentimentais de cidades e outros lugares sempre são leitura atraente, mas, quando burilados pelas mãos de escritores e poetas, tornam-se ainda mais valiosos. É o caso do Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará, escrito pelo poeta, escritor e dramaturgo José Mapurunga, meu amigo e antigo companheiro das lutas estudantis do ano mágico de 1968.
     O autor mergulha na história, geografia, flora, fauna, culinária, arquitetura religiosa, narrativas reais e lendas populares de Viçosa do Ceará, sua terra natal, sempre lembrada por ele em seus escritos anteriores e em conversas com amigos. Agora, essas lembranças e pesquisas transformam-se em livro, mais um ponto marcante na trajetória de José Mapurunga.
Writing a poem is discovering (“Escrever um poema é descobrir”, dizia o poeta norte-americano Robert Frost). Nessa viagem sentimental através de séculos e décadas, Mapurunga faz interessantes descobertas.  Vêm à tona histórias  - algumas alegres e curiosas, outras tenebrosas – ouvidas pelo menino Mapurunga  dos  seus pais, avós, tios avós e outras figuras marcantes da cidade. O texto tem a forma de prosa, mas com toque poético, criativo e mesclado, aqui e acolá, com o humor discreto do autor. A ordem alfabética dos assuntos (ou verbetes) possibilita ao leitor iniciar o livro pelo tema que julgar mais interessante.
Com 262 páginas, Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará foi editado e impresso pela Expressão Gráfica e Editora. A foto da capa, de Daniel Carneiro, lembra paisagem europeia, mas retrata fenômeno típico de Viçosa: um denso nevoeiro e árvores seculares, com um homem abrigado por um guarda-chuva. O design da capa é de Natália Mapurunga e Gilberlânio Rios. A coordenação editorial é de Daniel Monteiro.
Transcrevo trechos de alguns capítulos do livro para dar uma ideia da dimensão do trabalho de José Mapurunga:
Assombrações
No passado, quando o motor da luz dava dois sinais antes deixar as ruas de Viçosa na mais completa escuridão, nove horas da noite, as almas penadas tinham licença para assombrar os vivos. Frequentes eram as noites em que elas apareciam. Visagens e vivos eram vizinhos. Mesmo dentro de casa, alta madrugada, sempre havia alguém tremendo de medo, ouvindo nitidamente pisadas estranhas sobre as pedras toscas que pavimentavam as Ruas. Ou ouviam pisadas semelhantes de alguém que já havia morrido. Coisas assim que arrepiavam os mais descrentes... A chegada da energia de Paulo Afonso, no final da década de 60, expulsou a maior parte desses entes do além, que então se refugiaram nos sítios, nas proximidades de pequenos cemitérios avoengos, no meio do mato, pertinho das capelas familiares onde repousam os ossos de ancestrais teimosos em não largar o que amaram em vida.

Cachaça
... Meu tio Chico Caldas, entusiasta da cachaça viçosense, comprava regularmente os melhores exemplares produzidos e envelhecidos em toda região. Aos amigos que adentravam na sua casa servia doses em copinho de vidro. Aos visitantes, presenteava com litros do produto, o que muito ajudou a construir a fama da cachaça artesanal produzida em Viçosa.
Enéas Cavalcante, no seu livro de memórias denominado Evocações fala de engenhos de cachaça da passagem do século 19 para o 20: o do seu avô Mariano Lopes, no sítio Bananeiras, e na fábrica de Cândido do Espírito Magalhães, no Careta. Enéas também insinua que até o vigário José Ferreira da Ponte, que esteve à frente da paróquia entre 1905 e 1910, mantinha fabriqueta de cachaça no Sítio da Santa, o Catinguba, hoje um bairro da cidade.
Cauim
É uma bebida alcoólica de origem ameríndia, feita em todo o Brasil, usando-se como matéria prima mandioca...  Macaxeiras eram descascadas e cozinhadas em caldeirões de barro. Cozidas e quase esfriadas, eram mastigadas por moças índias, que sentadas no chão, iam pondo a massa, já bem pastosa, em outras vasilhas. Depois, colocavam a massa em caldeirões com água, para nova fervura. Em seguida, punham o líquido resultante em potes, que eram bem fechados e enterrados até o meio, dentro das cabanas. Daí a dois dias a fermentação estava completa e o cauim pronto para ser bebido até a última gota. Primeiro era necessário que lhe fosse retirado, com uma peneira fina, o cabeço, uma nata que se formava no processo de fermentação da bebida. Pará que a bebida não estragasse tanto a mastigação da macaxeira quanto a retirada do cabeço deveriam ser feitos, exclusivamente, por moças virgens.
Culinária
As avós viçosenses repetem ainda hoje as antiquíssimas receitas que aprenderam com suas avós. Iguarias venerandas, apreciadas por pessoas de todas as idades e ensinadas às novas gerações. Viçosense morando em outros lugares, vez por outra, mata a saudade se deliciando com velhas pratos viçosenses, como a mui estimada Carne Seca com banana verde. Viçosense longe de sua terra adora receber petas de goma, bolinhos crocantes e doces que aprendeu a gostar quando criança. O afetivo paladar quer se sentir no aconchego de Viçosa.
No livro, José Mapurunga dá a receita das seguintes iguarias: bolinhos de goma, bolo de milho na pedra, carne seca com banana verde, esquecidos, doce de buriti, doce de jaca em calda, doce de jaca em massa, doce de laranja da terra.
Diabo Grande
Jurupariaçu na língua tupi. Principal da aldeia indígena da Ibiapaba onde padre Francisco Pinto e padre Luiz Figueira ficaram durante quatro meses, de setembro do ano de 1607 e até 11 de janeiro de 160. Enquanto estiveram em Ibiapaba, catequizaram os índios e fizeram negociações com tribos hostis, visando a abertura de um caminho por terra para o Maranhão. Antes, em 1604, aliado dos franceses, Diabo Grande participou da resistência ao avanço de Pedro Coelho. No livro intitulado Viçosa do Ceará – Notícias Esparsas, o autor, Joao Otávio Siqueira, diz: o padre francês Yves d´verteu, em sua viagem ao Norte do Brasil, pretende que o chefe indígena Jurupariaçu, o Diabo Grande, era filho de um conterrâneo seu com uma nativa tabajara.”
Igreja do Céu
Mesmo antes de ali haver um igreja, o local era conhecido como Morro do Céu. No romance Iracema, de José de Alencar, escritor propenso a criar lendas, tem nota de rodapé afirmando que no Morro do Céu nasceu o índio Felipe Camarão, herói das guerras contra a Invasão Holandesa...A estátua do Cristo na torre da Igreja foi esculpida pelo italiano Agostinho Balmes Odísio, que fora aluno de Rodin, famoso escultor francês...Quando criança e adolescente subi inúmeras vezes a escadaria para cegar à igrejinha e em cima deslumbra-se com uma paisagem de tirar o fôlego.
Igreja Matriz
A Igreja Matriz é hoje tombada pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A inauguração se deu a 15 de agosto de 1700, pelo então superior dos jesuítas na Aldeia da Ibiapaba, padre Ascenso Gago.
Mapurunga discorre sobre as imagens de Santa Ana, de Nossa Senhora da Cabeça e se detém na descrição dos impressionantes painéis da Igreja da Matriz:
Um dos elementos importantes da Igreja Matriz de Viçosa é o forro do altar-mor, onde estão pintados 12 estranhos painéis. Quando criança, eu me distraía da missa para contemplar essas pinturas místicas, a imaginar histórias a partir do que eu via. Toda vez que vou a Viçosa os contemplo. Para Antônio Bezerra, eram inspirados em motivos bíblicos. Para o arquiteto Liberal de Castro, simbolizam virtudes cardeais, virtudes teologais e sentidos humanos. Sobre a autoria das pinturas, não existem pistas, apenas perguntas: seria algum padre ou irmão leigo da Copanhia de Jesus? Seria serviço contratado a terceiros pelos padres da Aldeia da Ibiapaba?
Matança da Tabatinga
Crime acontecido no sítio Tabatinga, distante sete quilômetros da cidade de Viçosa, em propriedade pertencente ao major Inácio José Correia, o Macaxeira. Eram 7 horas da noite do dia 6 de outubro de 17 quando a casa grande do major José Inácio (onde hoje é o engenho de cana do major Raimundo Nestor Mapurunga) foi assaltada por membros de uma família que residia nas proximidades. O ataque foi comandado por Francisco Gonçalves da Costa, o “Velho Juriti”.
José Mapurunga relata que foram trucidadas 19 pessoas na chacina e cita os nomes das vítimas, entre as quais mulheres e crianças, pessoas da família do major Inácio, serviçais e vizinhos que tentaram defende-los. O major Inácio, paralítico, foi retirado do local antes da tragédia, mas seus familiares não escaparam à sanha dos inimigos.
Zé Músico
No final da década 1960, a energia de Paulo Afonso chegou a Viçosa, mas a iluminação pública da cidade, talvez por economia, era desligada por volta da meia noite Era a senha para começarem as serenatas. O ponto de encontro dos seresteiros era a Praça da Matriz, ao pé da estátua de Clóvis Beviláqua, assim que a luz apagasse. Nessas condições, algumas vezes marcava com Zé Músico e seguíamos pela madrugada, ele ao violão entoando cantigas. Tive a honra de prezar da amizade desse artista, de visitar sua casa e de conhecer o seu repertório. Tive o prazer de acompanha-lo em algumas das serenatas nas quais ele cantava e tocava violão com o apoio do cavaquinho de João Jonas e do pistom de Toinho Nicolau... Porém a marca de Zé Músico foi Saudade, que ele entoava para abrir e fechar suas cantatas., emocionando os corações viçosenses nas reuniões festivas e serenatas, pondo lágrimas nos olhos de quem ouvia e associava música e letra com boas recordações. Saudade tornou-se uma espécie de Hino Sentimental de Viçosa. Só mais tarde, em 2004, através do pesquisador Cristiano Câmara, conheci um pouco mais sobre essa música que tanto encantava e encanta os viçosenses. Liguei para ele, cantarolei e ele, surpreso, me pediu tempo para pesquisar, pois ainda não conhecia a cantiga. Menos de uma hora depois, ele retornou a ligação. Daí, tomei conhecimento que  Saudade era de autoria de Jayme Redondo. Esse autor nasceu em São Paulo em 190 e faleceu em 1952.  

O que foi transcrito é apenas uma amostra do livro de José Mapurunga. O leitor terá muito mais o que apreciar se adquirir o Roteiro Sentimental de Viçosa do Ceará.      

sábado, 29 de outubro de 2016

Votar nulo é ajudar o Capitão. O certo é votar em Roberto Cláudio.



     Na reta final do segundo turno da eleição municipal é hora de reflexão. Eleitor de Luizianne Lins (PT), eu agora começo a questionar até a necessidade da candidatura petista na primeira etapa da campanha. Vamos aos fatos e ponderações.
     Antes de entrar no mérito da questão, esclareço dois pontos importantes:
     1º - Estou a fazer essas considerações na condição de cidadão e de eleitor. Coloco-as em discussão para o chamado pensamento progressista de Fortaleza, responsável por grandes campanhas de candidaturas populares em passado distante (não tão longínquo no que se refere à História), outros ainda próximos para quem tem mais de 50 anos e alguns bem recentes para todas as gerações.  
     2º - Sou eleitor de Luizianne Lins (primeiro turno em 2016), no segundo turno em 2004 (no primeiro turno votei, com muita honra em Inácio Arruda, do PCdoB) e, no turno único em 2008. Em 2012, votei em Elmano Freitas, candidato de Luizianne, no segundo turno. No primeiro turno, votei, repito, com muita honra, em Inácio Arruda.
     Em suas duas administrações, Luizianne Lins preocupou-se com o bem-estar (saúde e educação) da população da periferia e melhorou, em muito, o padrão das escolas municipais. São fatos incontestáveis.
     Agora, no segundo turno, é preciso refletir, de cabeça fria. Estamos hoje em cenário dos mais difíceis,  tenebrosos e adversos para as forças progressistas. Entre estas se incluem: esquerdistas, democratas autênticos, patriotas, democratas trabalhistas e defensores do Estado Democrático de Direito e da soberania do Brasil (nem todos e todas a favor das bandeiras da esquerda). O resultado do primeiro turno demonstrou: o bombardeio midiático incessante intensificado desde 2014 alcançou êxito em determinadas camadas populares. Os resultados (fatos) estão aí para quem quiser constatar..
    Sem rodeios e sem panos mornos,  o que se vê após os resultados do primeiro turno na maioria das capitais brasileiras? O risco de legitimação – pelo voto popular – do golpe mais covarde, indigno, cínico e antipopular praticado na história da República brasileira. Mais do que nunca é hora da união das forças anti-golpistas e populares.
     No caso específico de Fortaleza, deparamo-nos com as seguintes candidaturas no segundo turno:
     Roberto Cláudio (PDT), atual prefeito de Fortaleza, apoiado pelo grupo dos Ferreira Gomes, cujos expoentes máximos são os ex-governadores Ciro e Cid Gomes. Os Ferreira Gomes, não obstante todo o mandonismo e inúmeros defeitos, se colocaram na linha de frente na defesa do mandato da presidenta Dilma usurpado pelos golpistas. Têm-se mantido em oposição radical ao governo Michel Temer. O prefeito Roberto Cláudio também se posicionou a favor da presidenta Dilma e contra o golpe. Enquanto isso, o candidato a vice-prefeito de Roberto Cláudio, o deputado federal Moroni Torgan (DEM) votou a favor do golpe, além de ser conhecido pelo discurso truculento. Mas, é preciso que se diga, contrariando orientação do DEM, Moroni ausentou-se, do plenário da Câmara dos Deputados, nas duas votações da PEC 241 (Proposta de Emenda Constitucional), que encolhe o Brasil, dá marcha ré ao País por 20 anos e castiga as camadas populares de uma forma jamais ousada pela ditadura militar.
     Mas, quem está do outro lado?  Capitão Wagner, pela coligação PMDB/PR/PSDB/SD, candidato a Prefeito. Sabemos que, por trás desse conluio, está o que há de pior na política cearense: senador Eunicio Oliveira (PMDB), golpista milionário (com agravante: golpista traíra, vira-casaca, trânsfuga), político praticante do seguinte slogan: tenho dinheiro e compro tudo. Além disso, proprietário de grandes empresas de segurança. Esse homem vai querer uma Fortaleza segura e perder clientes ricaços?  Senador Tasso Jereissati (PSDB), golpista de primeira hora, plutocrata sempre disposto a votar contra os interesses do povo. Os demais partidos representam a escória do lixo golpista, a começar pelo partido do capitão Wagner: PR (o ex-presidente deste partido, Alfredo Nascimento, votou a favor do golpe por ter sido afastado  por corrupção do Ministério dos Transporte pela presidenta Dilma Rousseff); Solidariedade: este é presidido por Paulo Pereira da Silva, o famigerado Paulinho da Força. O nome dispensa comentários, mas só lembrando: ele já foi condenado na Justiça por improbidade administrativa e é réu no STF acusado de desviar dinheiro do BNDES.
     Mas voltemos ao primeiro turno, hoje percebo o erro da candidatura de Luizianne Lins e faço as seguintes indagações: a ex-prefeita agiu por vaidade pessoal? Ou a candidatura foi movida apenas pelo rancor contra os Ferreira Gomes? São pontos que coloco em discussão. Lembro que foi oferecida à tendência petista comandada por Luizianne Lins a candidatura a vice-prefeito na chapa de Roberto Cláudio. Se o convite tivesse sido aceito não existiria a candidatura de Moroni Torgan e as forças anti-golpistas estariam unidas em Fortaleza.
     O isolamento do PT no primeiro turno prejudicou bastante o partido na eleição proporcional: os petistas elegeram apenas dois vereadores. Poderia ter elegido três – ou até quatro representantes municipais – se tivesse feito uma coligação.
     Ressalte-se, a bem da verdade, que não foi apenas o PT o prejudicado nas eleições proporcionais. O PCdoB entrou numa esdrúxula coligação com o DEM e o PSD, elegendo apenas um vereador. Mesmo com a opção pela coligação majoritária (a prefeito) com Roberto Cláudio, se, para a Câmara Municipal, esta tivesse ocorrido com o PT, os resultados, com certeza, teriam sido melhores para os dois partidos.
     Na reta final da campanha do segundo turno surge movimento a pregar voto nulo. Essa decisão não beneficia Fortaleza. Votar nulo no segundo turno é prestar favor ao capitão Wagner e às forças obscurantistas e repressoras que se aglutinam em torno dele.
     A saída, para o eleitorado progressista, é o voto em Roberto Cláudio.

domingo, 4 de setembro de 2016

Francis Vale comenta livro de Galba Gomes e reafirma hegemonia do PCdoB no final dos anos 60 no CE

     O cineasta, compositor e advogado Francis Vale (foto), em mensagem (e-mail) enviada a este blog, faz comentário sobre o livro O Sonho é Realidade, escrito pelo odontólogo Galba Gomes.  e lançado em Fortaleza no último mês de julho. A publicação foi objeto de análise no Coluna da Hora em agosto passado e teve 569 visualizações.
     Francis concorda com o blogueiro sobre a omissão do autor no que se refere à hegemonia do PCdoB no movimento estudantil cearense no final dos anos 60. Destaca o início da organização do PCdoB no Ceará em 1965 (há exatamente 51 anos) e sua estruturação no movimento universitário a partir de 1966, trabalho que se estendeu ao movimento secundarista nos anos posteriores.
          Hegemonia
Eis a mensagem de Francis Vale: "Paulo, li seu comentário sobre o livro do Galba.Você tocou num ponto sobre o qual há uma omissão total por parte do autor e colaboradores: a hegemonia do PCdoB no movimento estudantil da época.
     Para entender aquela situação é preciso ir à questão política central. No final de 1965,quando resolvemos sair do PCB e organizar o PCdoB na UFC, houve uma longa discussão com críticas à política da esquerda antes do Golpe. Verificamos ( João de Paula, Pedro Albuquerque, Assis Aderaldo, Ozéas Duarte e Francis Vale) que a UNE e as UEEs estavam afastadas dos estudantes porque priorizavam palavras de ordem de caráter político geral e esqueciam os problemas específicos (falta de bebedouros, salas sucateadas, falta de vagas no Restaurante Universitário e nas Residências etc). 
     A partir dessa visão, passamos a ver que para mobilizar os estudantes para a luta política e ideológica seria necessário sensibilizá-los a partir de seus problemas mais diretos.Com a obtenção de pequenas vitórias íamos acumulando força para mobilizações maiores. A partir dessa nova visão, passamos a conquistar cargos nos diretórios e a ampliar nossa área de influência.
     Essa política de amplitude foi que possibilitou  a hegemonia que depois se estendeu ao movimento secundarista.

     Talvez isso explique o fato de aquele partido ( "com todos os erros, pecados e vícios") até hoje exercer influência no meio político cearense. Tanto que, em determinado momento, teve um senador, dois deputados federais, deputados estaduais e vereadores. Afinal, isso não surgiu do nada, mas da história de amplitude política ocorrida através dos anos. Ou teria outra explicação? Um abraço do Francis".