segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Primavera dos anos 80 também se deu na música, narra livro "Companheiro Praiano"

     Efervescência também ocorre na música. Novos talentos explodem. O pernambucano Alceu Valença, que se havia iniciado no final da década de 70, consagra-se nos anos 80. Uma de suas músicas, Anunciação, parece prever novos tempos: Tu vens, tu vens/Eu já escuto os teus sinais...
    O baiano Gilberto Gil, preso pelo regime militar em 1969, com o amigo, parceiro e conterrâneo Caetano Veloso, ainda dá mostra de receios de fantasmas do passado ainda recente e externa maus presságios na composição Extra (1983): Abra-se, cadabra-se o temor /Eu, tu e todos no mundo/No fundo, tememos por nosso futuro/ ET e todos os santos, valei-nos/ Livrai-nos desse tempo escuro.
   No mesmo ano, a paraibana Elba Ramalho parece despreocupada e canta: Eu quero um banho de cheiro/Eu quero um banho de lua/Eu quero navegar...

     Em 1982 surge o primeiro LP da banda Barão Vermelho. O destaque é o vocalista Cazuza, que se consagraria depois como cantor e compositor símbolo dos anos 80. A moça de sorriso maroto Cássia Eller inicia sua carreira em 1981, mas só viria a atingir o patamar da fama na década de 90. O cearense Fagner, já famoso, lança, em 1979, o álbum Beleza, com Noturno, música-tema da novela Coração Alado, da Rede Globo, levada ao ar de 1980 a 1981.

Primavera política brasileira dos anos 80 é tema do livro "Companheiro Praiano"

O livro Companheiro Praiano - 30 anos da vida pública de José Airton Cirilo aborda, entre outros assuntos,
a chamada "primavera política" brasileira, isto é, a luta pela redemocratização do País após "a paz de cemitério" imposta pela ditadura militar (1964-1985), período que coincide com o despertar da liderança do fundador do município de Icapuí e hoje deputado federal pelo PT.
Eis trecho inicial do capítulo "Primavera dos anos 80"

"O final da década de 70 e o início dos anos 80 – período em que o jovem José Airton entra no movimento estudantil e na política partidária – trazem muita efervescência à sociedade brasileira. Em 1979, graças à Anistia, retornam os políticos cassados e forçados ao exílio pela ditadura militar instaurada em 1964. Presos políticos são libertados. Os movimentos estudantil e sindical ressurgem. Em 1983 iniciam-se os mandatos dos governadores de 22 estados eleitos pelo voto direto em 1982, os primeiros, depois de longo jejum nas urnas. A paz de cemitério imposta pela ditadura com prisões, torturas e assassinatos de opositores duraria até o final da década de 70". 
Na foto, ilustrativa apenas da matéria deste blog, veem-se o então ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola e sua esposa Neusa Brizola quando retornavam ao Brasil depois de longo exílio no Exterior.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Livro "Companheiro Praiano" aborda 30 anos de vida pública do deputado federal José Airton Cirilo

O livro Companheiro Praiano - 30 anos da vida pública de José Airton Cirilo será lançado no próximo dia 21 de janeiro, em Icapuí. De autoria do deputado federal José Airton e dos jornalistas Paulo Verlaine e Salomão de Castro, a obra terá seu lançamento à noite, no mercado público municipal. O lançamento integra a programação alusiva às comemorações pelos 30 anos de emancipação política do município do Litoral Leste cearense. Os prefaciadores são o secretário de Cultura do Estado, jornalista Paulo Mamede; o jornalista e escritor J. Ciro Saraiva e o juiz do Trabalho (aposentado) e advogado Inocêncio Uchoa.
 
Companheiro praiano traz revelações sobre bastidores da política cearense e os principais fatos da vida pública do deputado federal José Airton. A obra trata da infância, adolescência e participação  de José Airton no movimento estudantil. Também inclui abordagem sobre seu primeiro mandato eletivo, como vereador de Aracati, a luta pela emancipação de Icapuí e suas duas administrações na prefeitura do município criado em 1984. O livro trata ainda  da eleição de José Airton como vereador de Fortaleza em 2000 e o período em que exerceu a presidência estadual do Partido dos Trabalhadores (PT).

O livro destaca as duas candidaturas de José Airton a governador pelo PT, em 1998 e 2002 - quando, de forma inédita no Ceará, a eleição para o Governo do Estado foi decidida em segundo turno. Companheiro Praiano aborda também o trabalho do líder petista no exercício de dois mandatos como deputado federal, a partir de 2007.

Os autores optaram por um estilo leve, alternando momentos dramáticos com lances curiosos e até humorísticos dos fatos políticos, por meio de episódios contextualizados. O livro traz uma retrospectiva da década de 1980, quando José Airton ingressou na vida política, mencionando sucessos musicais da época, fatos referentes à transição da ditadura para a democracia, aspectos culturais e comportamentais que marcaram aquela década.
 
O livro foi escrito por José Airton e dois jornalistas cearenses. Paulo Verlaine, jornalista, defensor da preservação da memória histórica e sentimental de Fortaleza, além de coautor do outro livro Futebol e Ditadura: a história de Nando, o primeiro jogador anistiado do Brasil. Salomão de Castro, especialista em marketing político, atua na área de assessoria de imprensa. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Insegurança


Espera-se que a reforma do Cine São Luiz, anunciada recentemente, venha acompanhada de medidas para valorizar a Praça do Ferreira, um dos maiores ícones de Fortaleza, ora ameaçada pela ação de vândalos e transformada em dormitório de moradores de rua logo depois das 19 horas.

A L´Escale, lanchonete que ali funciona há vários anos colocava, depois das 17h30min, cadeiras na calçada para os clientes desfrutarem a happy hour, o que dava mais vida e movimento àquele local.

Agora, desistiu de servir a tradicional cerveja dos fins de tarde e início de noite, fato que acontecia desde 1994.

Motivo: a insegurança na praça. Houve dois incidentes e o proprietário, por medida de precaução, resolveu encerrar o atendimento às 19 horas, sem bebida alcoólica.

Perde o Centro um dos poucos locais em que se podia conversar; beber cerveja com tranquilidade e comer algo, sem a praga dos aparelhos de som e sua barulheira ensurdecedora.

Ressalte-se: os clientes de fim de tarde/início de noite do estabelecimento sempre foram pacíficos e nenhum deles protagonizou os incidentes desagradáveis ali registrados.

Eram comerciários das lojas localizadas nas proximidades, alguns juristas, jornalistas, boêmios e pessoas que gostam do Centro de Fortaleza.

Com o fim do happy hour no L´Escale, a Praça do Ferreira ficará mais soturna depois das 18 horas.

A partir desse horário não se vêem guardas municipais nem policiais militares no local.

O Natal da Luz, aberto sexta-feira última, terá menos brilho este ano. Lamentável.

Transcrito do Diário do Nordeste, de 16/12/2013


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pedro Ney: engenheiro e humanista


No dia 5 de outubro último faleceu no Recife o engenheiro eletricista Pedro Ney da Silva Pereira. Cearense radicado na capital pernambucana, ele participou do empreendimento que mudou, há quase 49 anos, o perfil econômico de Fortaleza: a implantação da energia de Paulo Afonso, em 1965. Pedro Ney era, na época, diretor-técnico da Companhia de Energia Elétrica de Fortaleza, presidida pelo engenheiro Jesamar Leão. Pode-se dividir a história econômica do Ceará em antes e depois de Paulo Afonso. Fortaleza sofria com faltas de energia elétrica, o que inviabilizava o desenvolvimento industrial. Paulo Afonso significou marco no processo de desenvolvimento do Ceará. É necessário lembrar os nomes das autoridades que mais se empenharam em trazer a energia de Paulo Afonso ao CE: o presidente João Goulart, deposto pelo movimento militar de 1964; e o governador Virgílio Távora. A inauguração ocorreu em 1º de fevereiro de 1965, na Praça do Otávio Bonfim. O governador Virgílio Távora, no discurso proferido na solenidade, teve a coragem de citar o nome de João Goulart diante do general-presidente Castello Branco e autoridades presentes. Pedro Ney preocupou-se em orientar a população sobre os procedimentos a serem adotados durante a troca dos sistemas elétricos, através da ainda iniciante televisão (canal 2). Formado em Engenharia no Rio de Janeiro, com curso na Alemanha, era homem culto e preocupado com os problemas sociais do País. Era casado com a artista plástica Maria Ísis (Bidy) Brizeno Pereira. O casal teve as filhas Michele, residente na França; e Daniele, falecida.
Artigo publicado no Diário do Nordeste, edição de 16/11/13, seção Ideias (Opinião).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ciro, o grande


Conheci o jornalista J. Ciro Saraiva em 1972, na "Gazeta de Notícias", quando esta publicação passou a ser semanal, depois de adquirida por outra empresa jornalística de Fortaleza. Mas ouvia falar no nome dele desde tempos de adolescente. Na Gazeta de Notícias, Ciro integrava juntamente com Moraes Né (editor) e Durval Ayres, o trio dirigente do jornal que, embora tenha tido pouco tempo de vida, trouxe inovação à imprensa cearense: tornou o edição dominical, antes muito fria, em algo vibrante, com, pelo menos uma matéria de impacto, que proporcionava suíte (repercussão e novas abordagens) até pelos concorrentes na semana. O modelo ainda é seguido até hoje.

Sagaz, às vezes sarcástico, mas, como todo boêmio (não o é mais), sempre bonachão (continua a sê-lo), Ciro fazia questão de incutir nos repórteres a busca pelo que está atrás da notícia, para evitar o "jornalismo de declarações", ainda comum na mídia de hoje.

Mas o que me despertava mais atenção em Ciro Saraiva era a preocupação em desvendar fatos obscuros da política cearense do passado.

São marcantes suas entrevistas com políticos, publicadas em diferentes jornais.

O jornalista revelou-se grande pesquisador. Um historiador nato. É o que demonstra os seus dois livros: "No Tempo dos Coronéis" e "Depois dos Coronéis". Com estilo agradável, o autor leva uma vantagem: acompanhou a história de alguns desses fatos não apenas como mero observador, mas como ator no cenário dos acontecimentos.

Foi secretário de Estado em dois governos. Mais livros virão.


Ciro Saraiva



Conheci o jornalista J. Ciro Saraiva em 1972, na "Gazeta de Notícias", quando esta publicação passou a ser semanal, depois de adquirida por outra empresa jornalística de Fortaleza. Mas ouvia falar no nome dele desde tempos de adolescente. Na Gazeta de Notícias, Ciro integrava juntamente com Moraes Né (editor) e Durval Ayres, o trio dirigente do jornal que, embora tenha tido pouco tempo de vida, trouxe inovação à imprensa cearense: tornou o edição dominical, antes muito fria, em algo vibrante, com, pelo menos uma matéria de impacto, que proporcionava suíte (repercussão e novas abordagens) até pelos concorrentes na semana. O modelo ainda é seguido até hoje.

Sagaz, às vezes sarcástico, mas, como todo boêmio (não o é mais), sempre bonachão (continua a sê-lo), Ciro fazia questão de incutir nos repórteres a busca pelo que está atrás da notícia, para evitar o "jornalismo de declarações", ainda comum na mídia de hoje.

Mas o que me despertava mais atenção em Ciro Saraiva era a preocupação em desvendar fatos obscuros da política cearense do passado.

São marcantes suas entrevistas com políticos, publicadas em diferentes jornais.

O jornalista revelou-se grande pesquisador. Um historiador nato. É o que demonstra os seus dois livros: "No Tempo dos Coronéis" e "Depois dos Coronéis". Com estilo agradável, o autor leva uma vantagem: acompanhou a história de alguns desses fatos não apenas como mero observador, mas como ator no cenário dos acontecimentos.

Foi secretário de Estado em dois governos. Mais livros virão.

(Transcrito do Diário do Nordeste - Opinião - Ideias - edição de 15/5/13)


 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Homem de moral

Homem de moral
Conhecia os maiores sucessos de Paulo Vanzolini, falecido no último dia 29, antes de tomar conhecimento da existência do autor: "Volta por Cima" (1959), cantada por Noite Ilustrada; e "Ronda" (1953), interpretada por gerações de cantores e cantoras, até hoje. Os intérpretes obscureciam o nome do compositor.

Vim saber quem era Paulo Vanzolini através de disco gravado por Chico Buarque, em 1967, com "Samba Erudito" e "Praça Clóvis", no estilo do samba paulista (ironia amarga, o que o diferencia do samba carioca). Em "Praça Clóvis", um rapaz tem a carteira roubada (com o retrato da ex-namorada): "Eu já devia ter rasgado /E não podia/ Esse retrato cujo olhar/ Me maltratava e perseguia/ Um dia veio o lanceiro/ Naquele aperto da praça/ vinte e cinco/ Francamente foi de graça". Fica a dúvida machadiana: por que ele não rasgou antes o retrato da moça? Ao insinuar que agradece ao ladrão por ter levado a lembrança, ele é sincero? Conclui-se que o infeliz lamenta mais a perda do retrato do que o dinheiro. Puro Vanzolini. Tive duas surpresas: saber que o mesmo Vanzolini era autor de "Ronda" e "Volta por Cima" e que fazia música pelo mais puro diletantismo. Era cientista (zoólogo) de renome internacional. Na sombria década de 70, passei a conhecer outras músicas dele, através das amigas: Ana Fonseca, hoje secretária nacional extraordinária para a Superação da Extrema Pobreza; e Irlene Araújo, professora.

Termino com trecho de música de Vanzolini reveladora do seu pessimismo: "Vida comprida e vazia/ Dias e noites iguais/ Morte é paz".

Paulo VerlaineJornalista
(Publicado no Diário do Nordeste em 6/5/13)